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CARACTERIZAÇÃO DA FREGUESIA DA MARINHA GRANDE

 

A formação e desenvolvimento da Marinha Grande está intimamente ligada à indústria do vidro, que aqui encontrou condições favoráveis ao seu estabelecimento. De fato, a frase tão ouvida há algumas décadas: “ Quem não sopra, já soprou “, reflete de forma elucidativa a forte ligação desta população à indústria vidreira.

Berço da indústria do vidro e antigo centro nevrálgico da Marinha Grande, a Fábrica Escola Irmãos Stephens, desempenhou um papel extremamente importante no seio da comunidade marinhense, não somente em termos económicos, como também sociais e culturais.

Daí que a indústria vidreira, a figura do vidreiro e a personalidade dos Irmãos Stephens, se constituam como um marco de elevada importância na história desta freguesia, na medida em que para além de fazerem parte da memória colectiva dos marinhenses, também se apresentam como uma referência identitária.

Terra de gente associativa, o concelho tem sido ao longo dos tempos uma espécie de El Dorado, a avaliar pelo elevado número de pessoas que para aqui migram.

Atualmente, a Marinha Grande é um importante e dinâmico pólo industrial. A indústria transformadora é o principal setor de atividade económica, apresentando a estrutura do setor industrial uma significativa concentração em torno de três setores: vidro, produtos metálicos/moldes e plásticos.

 Ao título de “ capital do vidro” que ostenta acresce, ainda, o reconhecimento desta freguesia enquanto “capital dos moldes”. Na verdade, foi este setor industrial que permitiu à Marinha Grande fazer frente à crise instalada na indústria tradicional – a vidreira -, melhorando a situação económica local e elevando esta cidade na escala social.

Embora já não sobreviva predominantemente da atividade vidreira porque outros setores de atividade económica foram emergindo e adquirindo a sua importância no contexto da economia local, ela é e será sempre reconhecida como a capital do vidro.     

Mas a importância da Marinha Grande não assenta única e exclusivamente ao nível da sua economia local, mas também ao nível das riquezas naturais de que dispõe, do património arquitetónico e histórico que possui e que são meritórios de especial atenção.

São dignos, pois, de especial enfoque alguns equipamentos de âmbito cultural e espaços que, pelas suas características, são elementos definidores da história local.

É o caso do Museu do Vidro, Museu Joaquim Correia, Museu da Fábrica de Vidros Santos Barosa, a Praça Guilherme Stephens, o Parque do Engenho, a Mata Nacional – que ocupa a maior parte da superfície do concelho – não podendo contudo esquecer as praias existentes na orla do Pinhal o Rei.

 

CARACTERIZAÇÃO DA FREGUESIA DE VIEIRA DE LEIRIA

Fazendo parte integrante do concelho da Marinha Grande, a povoação de Vieira de Leiria situa-se a 14 quilómetros da sede do concelho e a 24 quilómetros da cidade de Leiria, capital do distrito. Localiza-se na margem esquerda do Rio Lis e a 4 quilómetros da costa, no extremo norte do Pinhal de Leiria.

Esta freguesia tem de área 4700 ha, no entanto a sua área urbana é de 400 ha. É composta pelos seguintes lugares: Boco, Casal das Raposas, Casal d’Anja, Casal dos Lobos, Galiota, Outeiros da Vieira, Outeiros da Passagem, Passagem, Praia da Vieira, Vieira de Leiria, Casal da Malha.

A freguesia de Vieira de Leiria, faz parte de um universo espacial, cujas características se podem agrupar segundo dois princípios de integração regional. O primeiro tende a enquadrar a vila e os seus lugares no âmbito de uma vasta região de transição entre o norte e o sul, que poderíamos fazer coincidir, grosso modo, com a província da Estremadura. O segundo integra a freguesia no conjunto das localidades da faixa litoral que se estende da Vieira para o norte, até Espinho, constituindo uma zona onde a influência do mar e das dunas se faz sentir de forma unívoca.

Relativamente à sua origem toponímica, são várias as hipóteses alvitradas. Segundo o professor Luciano Coelho Cristino: “a frequência com que se mostram os despojos da antiga indústria metalúrgica, nas vizinhanças da Vieira e da Marinha Grande, provam que a lavra e o benefício deste minério, em outras épocas teve muito desenvolvimento nesta parte do distrito de Leiria.”.

Vieira derivaria, assim, de vieiro, ou seja, metal. Por seu lado, para Ruy Acácio da Luz , o nome provem do latim “ vena-venae”, que significa “o que tem conduto de água”. Na boca do povo, porém, Vieira deve o seu nome às conchas caneladas, denominadas “vieiras” , que existiriam abundantemente nos extensos areais de outrora. A escassez de fontes e algumas opiniões contraditórias não nos permitem ter uma certeza acerca do nascimento da Vieira. As primeiras referências de que se tem conhecimento referem-se não à Vieira , pois esta talvez não existisse, mas sim ao Rio Lis que, apesar do seu curso irregular, terá sido certamente o causador do nascimento desta localidade.

Em 1094, D. Afonso Henriques, na sua incessante luta contra o domínio dos mouros na Península Ibérica, conquista Leiria e Torres Novas, sendo pois, acertado pensar que data deste ano a inclusão desta região no condado portucalense.

As primeiras citações sobre esta povoação datam do reinado de D. Dinis, tendo-se fixado o primeiro casal que deu “nascença” ao povoado, a 2 km. da margem esquerda do rio Lis, nas proximidades da sua foz. D. Dinis, como forma de promover a fixação e o povoamento desta região, isentou os moradores dos campos de Ulmar, do imposto da “jugada” e até de “hoste”, se morassem com suas mulheres continuamente no mesmo lugar e aí tivessem as suas casas. Com o fim do reinado de D. Dinis, os documentos acerca das atividades existentes na Vieira escasseiam novamente e só no reinado de D. Manuel (1495 – 1521) é que surgem elementos comprovativos do desenvolvimento da Vieira. Em 1512, Monte Real, Carvide e Vieira separam-se da freguesia de S. Tiago do Arrabalde e formam uma nova freguesia.

Já em pleno reinado dos Filipes (1580 – 1640) se pode ler a seguinte provisão: “ el-rei..., faço saber aos que esta minha provizão virem que considerando Eu o muito que importa para o serviço Meu e bem destes meus reinos... ordenei que se acrescentasse o meu pinhal que tenho em Leiria, pelas partes em que se podesse melhor criar e ficasse mais acomodado para a carregação, corte e carretos das madeiras e mandei fazer demarcação das terras que assy se podia semear... Item do marco o que se pôs ao caminho junto ao rio, que deviza direito ao mar ao longo da área que está junto com os ditos pinhaes da parte do poente e do dicto marco pela estrada que vai do dicto campinho vai direito ao lugar da Vieira pela banda de baixo da parte dos dictos pinhaes.”

A madeira era, de tal modo, considerada um bem precioso para o povo da Vieira que Guilherme Stephens, quando tentou fundar uma fábrica de vidros, em 1748, perto do antigo cais, teve que desistir do seu intento e vir para a Marinha Grande, por dificuldades movidas pelo povo da Vieira, que não via com agrado o consumo em grandes quantidades de tão valioso bem na laboração desta fábrica.

É durante todo o século XIX que as informações sobre a Vieira se tornam mais precisas. A atividade intensa na Foz do Lis e o desenvolvimento da Vieira permite-nos ter uma ideia sobre a vida vieirense.

A irregularidade do rio pôs, por algumas vezes, em perigo as habitações dos pescadores; situação essa que levou a que nos princípios do século XIX se empreendessem trabalhos para regularizar o seu leito. São precisamente essas obras que marcam o início de uma época de prosperidade não só para a Vieira, como para o próprio rio que, tornando a ser navegado, leva D. João VI a publicar a 21 de abril de 1824 o “ Regulamento Geral da Fazenda da Marinha”, no qual determinava que o embarque de madeiras do pinhal de Leiria se fizesse na Foz do Lis.

O porto da Vieira terá, então, um grande desenvolvimento após a construção do molhe Oudinot (construção de um molhe longitudinal até ao nível da maior baixa-mar) e da construção das Tercenas – barracões destinados ao armazenamento de penisco, isto é, de pinhão, madeiras, resinas e pez – na margem esquerda do Lis.

Anteriormente a 1824, o embarque de madeiras era feito em S. Pedro de Moel, mas em virtude de um incêndio que destruiu uma grande parte do pinhal contíguo, esse embarque passou depois a ter lugar na foz do Lis. Só depois desta data é que o depósito de madeiras se instala na margem esquerda do rio. Em 1840 e com duração até 1845 fundou-se uma fábrica de vidro, no sítio do cais e nela se fazia somente vidraça. Ainda em 1840, há a registar a construção de algumas embarcações de pequena cabotagem: caíques, lugres, saveiros, etc.

No depósito, todo o material lenhoso e outro como vidros, alcatrão e sementes era empilhado e arrumado devidamente, aguardando aí a ocasião própria para o seu embarque. Em período de boas marés, o rio era navegável e os barcos vinham até junto das Tercenas, sendo aí então carregados. Vieira de Leiria era, então, um aglomerado significativo, composto por construtores navais, vidreiros, pescadores, limeiros, ferreiros e serradores.

Considerada o mais importante centro de fabrico de limas do país e o maior aglomerado populacional da área, é elevada à categoria de Vila a 9 de julho de 1985. De facto, a indústria veio, de tal modo, revolucionar as condições de vida na Vieira, modificando quase por completo o género de vida tradicional, sendo, atualmente, a pesca pouco mais do que uma atividade acessória.

Trata-se de uma freguesia que, ao longo dos anos, conseguiu promover a fixação da população, não só por aí conseguir reunir as condições consideradas indispensáveis à sua atividade, quer ela seja no setor industrial, comercial, agrícola ou de serviços, mas também pela capacidade de trabalho e de organização das suas gentes.

 

CARACTERIZAÇÃO DA FREGUESIA DA MOITA

De todos os lugares nascidos ao redor do pinhal real, a Moita é seguramente a povoação que mais atribulações e indefinições administrativas sofreu ao longo da sua história. Com o avançar do século XVIII perderia a relativa importância que detivera como vintena.

Encravada nos confins dos concelhos de Alcobaça e Leiria, chegou a incorporar o primeiro concelho da Marinha Grande, entre 1836 e 1838, que integrava a freguesia de Carvide e a Moita. Retornou a Alcobaça, anexada à Junta da paróquia de Pataias, após ter pertencido durante algum tempo à Paróquia da Maceira, devido à extinção do concelho da Marinha Grande, em 1838.

Durante anos, a Moita reivindicou a sua libertação do concelho de Alcobaça, tendo as lutas populares com vista à sua reintegração no município marinhense acontecido nas décadas de 30, 40 e 70. Pretendia-se a salvaguarda dos interesses dos moitenses, dadas as afinidades existentes no quotidiano com a Marinha Grande e o implícito afastamento com a sede do concelho a que pertencia, aos mais diversos níveis.

Face à realidade existente, era necessário uma tomada de posição que desse cobertura legal ao que já se verificava na prática e daí o pugnar pela integração da Moita no concelho da Marinha Grande.

Em 1999 é, constituída uma comissão que englobava cidadãos das mais diversas profissões e ideologias políticas, denominada “Amigos da Moita”. A comissão, criada com o objetivo de elaborar um documento reivindicativo do que consideravam ser o mais elementar e legítimo direito, era presidida por José Vicente Rosa.

A 19 de abril de 2001, os protestos e exigências dos moitenses são finalmente atendidos na Assembleia da República, ficando a Moita a pertencer oficialmente ao concelho da Marinha Grande, desde o dia 12 de julho de 2001, na sequência da publicação da Lei n.º 28/2001 no Diário da República n.º 160 I série A.

O anseio dos moitenses acabou por ser satisfeito ao fim de 163 anos.

A primeira freguesia a ser desanexada de um concelho depois de 25 de Abril de 1974, comemorou a sua reintegração no concelho marinhense, em ambiente de alegria.

A festa de cariz popular, que assinalou a passagem oficial, ocorreu a 9 de setembro de 2001, tendo o evento sido promovido pela Câmara Municipal da Marinha Grande, Junta de Freguesia da Moita, Comissão “ Amigos da Moita “ e Clube Desportivo Moitense.

A evolução e o progresso da Moita são notórios, sendo hoje uma terra pujante de vida e de força, graças à sua indústria –principal sustentáculo económico – dispersa por um conjunto de atividades, onde predomina a tecnologia de ponta em áreas diversas como os moldes, aços, plásticos, móveis e uma fábrica de CDs ( Sonovis ), a par de outras de menor pujança.

Embora o setor primário tenha pouco peso, no que diz respeito à economia local, a prática da agricultura é bastante notória, ainda que praticada em regime de autoconsumo pelas famílias residentes. Na maior parte das habitações, o espaço destinado ao cultivo e/ou à criação de aves assume especial relevo, principalmente entre a camada etária mais idosa.